Sendo termo de uso restrito e mais conhecido por regionalismo que por significado concreto, uma das possíveis leituras de POLDRA é ser pedra. Uma das várias que formem ponte sobre rio ou curso de água. No tempo do simultâneo abandono territorial e do incrementar da ocupação, que é também o nosso (das cidades, de pedra/betão); reconhece-se cada vez mais a necessidade e importância do espaço natural e nativo em que e onde se constrói e – em primeira instância – a partir do qual se incentivou à fundação do assentamento humano. Uma cidade foi, antes de tudo o mais, um território “livre” que desenvolveu nele um ecossistema. Foi seguidamente uma geografia com componente humana; um novo ecossistema a partir do primeiro. E sucessivamente assim, até que um – diverso ou simplesmente distinto – venha e substitua um anterior, seu antecedente.

O projeto POLDRA surge no contexto do programa municipal VISEU CULTURA 2018/2019, de estímulo e apoio a projetos culturais, artísticos e criativos independentes. O financiamento assegurado por este programa municipal, através da linha “Animar”, constitui o pilar indispensável da sustentabilidade da intervenção. Por outro lado, a prioridade conferida neste programa à animação de sítios de valor patrimonial da cidade de Viseu contribuiu para a definição da localização das intervenções artísticas – como, neste caso, a Mata do Fontelo.

O projeto que se apresenta e se efetivará, pretende ser, no tempo das cidades globais, um dos elementos que auxilie a construir pontes. A primeira das quais entre a cidade e a região de Viseu, com suas fundações naturais e possíveis interpretações humanas – recorrendo à linguagem artística. A segunda das pontes, entre as construções históricas e a adição contemporânea, aberta a todos, em particular àqueles que serão os agentes do futuro próximo.

Por fim, enquanto premissa orientadora, ser ponte entre geografias distintas; ser ponte entre Viseu cidade e região, e seu entorno, e outras distantes mas prementes geografias e culturas de cidades amplas, dinâmicas, inteligentes e eco-conscientes. Ser ponte, uma das possíveis pontes. E ser constructo, uma das pedras dessa ligação entre margens.

https://poldra.com/

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OCASO

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LER O FONTELO

Passeios

Se há lugar bom para deambular, correr e andar perdido, é o Fontelo. Fizemos esse exercício de passear através da leitura, da música e da arte pública, e convidamo-vos a seguirem-nos os passos, e emergir em viagens virtuais pela nossa mata preferida.