Liderados por Jonathan Saldanha e com João Pais Filipe, Brendan Hemsworth, Filipe Silva e Frankão na percussão, e André Rocha, Álvaro Almeida nos metais, os HHY & The Macumbas partilham no seu segundo álbum, depois do aclamado “Throat Permission Cut” (Silo Rumor, 2014), uma euforia de movimentos invisíveis em constante êxtase. Em “Beheaded Totem” há uma ausência de boas maneiras para meter o corpo a vibrar. Isto é, os ritmos febris contagiados pela secção de metais entram de rompante em “WIlderness Of Glass”, o movimento circular – e não repetitivo – das peças situa-as no improviso entre o rock e a dança: não se sabendo o que fazer, dança-se com a música dos HHY & The Macumbas. Afinal, é uma celebração. Sente-se a luz dos Boredoms, a constância dos African Head Charge, a electricidade rítmica do dub de Adrian Sherwood influenciada pelas paisagens ambientais de Wolfgang Voigt enquanto Gas, a substância house/techno de Vladislav Delay misturada com a destilação de Fela Kuti se tivesse subido ao placo com os This Heat. À medida que os ritmos envolvem e se conquista uma percepção sobre o movimento da música dos HHY & The Macumbas, ela transforma-se, torna- se sónica, ideologicamente alinhada ao rock e a uma dissonância de sorriso largo que poderia ter existido na Nova Iorque de início dos 1980s. Havia o rock a aprender com o disco – e vice- versa -, em “Beheaded Totem”, as guitarras não podem aprender, porque não estão lá, mas fazem-se ouvir pela mistura invencível dos elementos que compõem a música dos portuenses. Celebração sim, mas celebração que vem ao encontro, é música que marcha sempre em frente e que não pára, que procura mais e mais corpos para destilarem nas práticas de vudu-espacial que os HHY & The Macumbas criaram. As bandas de Nova Orleães, o Carnaval do Rio, as raves a que se foi e não há memória, os concertos infinitos e os HHY & The Macumbas. Só não vale ficar sem cabeça.

Joathan Saldanha - Electrónica
Filipe Silva - Maracas
João Pais - Bateria
Brendan Hemsworth - Percussão
Frankão - Pad
André Rocha - Trompete

08 / 2020
30

ARIANNA CASELLAS

09 / 2020
01

FILIPE SAMBADO

09 / 2020
06

TIGER PICNIC

09 / 2020
07

FONTELLUM

09 / 2020
14

STEREOBOY

09 / 2020
15

DADA GARBECK

Música

O Fontelo foi cenário para quatro noites de concertos que partilhamos pós-facto. Um programa de música ao vivo desenhado para diferentes espaços da Mata.